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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pesquisa Ibope/CNA contestada

O economista Gustavo Souto de Noronha contesta a pesquisa do IBOPE, paga pela CNA - Confederação Nacional da Agricultura -, que mostra impordutividade nos assentamentos de Reform Agrária.

Nota, na íntegra:


Sou economista do INCRA e Chefe da Divisão de Desenvolvimento de Projetos dAssentamento na Superintendência do Rio de Janeiro e sinto-me na obrigação de comentar alguns pontos da pesquisa IBOPE/CNA

1- Pesquisa com amostra insignificante dado o tamanho do universo, relevância estatística quase nenhuma para qualquer tipo de afirmação em nível nacional até porque o sucesso ou fracasso de um assentamento depende de diversos fatores que vão desde as condições de clima, solo e relevo onde está inserido até as políticas públicas, particularmente a assistência técnica e crédito, oferecidas aos assentados.

2- Pelo que vi, a pesquisa foi feita em cima de assentamentos consolidados. Se no caso dos assentamentos nos quais o INCRA atua temos as realidades mais díspares possíveis, nos consolidados então nem se fala, pela realidade do Rio de Janeiro temos casos de fracassos (quase sempre por omissão do poder público) e sucessos (normalmente por mérito exclusivo dos trabalhadores), de forma que qualquer pesquisa apenas por amostragem fica extremamente prejudicada.

3- Ainda olhando apenas os assentamos consolidados, tivemos no final do governo FHC, sob a batuta do então ministro Raul Jungmann, uma série de consolidações feitas a toque de caixa sem atender as exigências legais tais como acesso a todos os lotes, infra-estrutura mínima e titulação de pelo menos 50% das parcelas. Temos casos de assentamentos consolidados (que estamos anulando os atos) sem um lote sequer titulado. Não sei se isso se deu por incompetência pura e simples, falta de compromisso público ou ação deliberada para desqualificar a reforma agrária.

4- Por fim, o uso dos dados de uma pesquisa com amostra restrita quando, com a devida paciência e tempo, poderia se fazer uma análise mais completa a partir dos dados recém-liberados do censo agropecuário. O problema que isso demanda tempo, para olhar os dados desagregados, e os resultados como já mostraram aqueles sobre a concentração fundiária e produção agrícola podem não ser aqueles esperados por estes setores.

5- Importante também destacar que os dados que temos no INCRA indicam que apenas 10% das parcelas são vendidas e quem o faz está cometendo o crime previsto no artigo 171 do código penal e quando tomamos ciência imediatamente retomamos a parcela (a forma como se dá esse procedimento está disponível na própria página do INCRA, http://www.incra.gov.br, e é a Instrução Normativa n.º 47).

6- De toda sorte, como a farta literatura acadêmica demonstra Reforma Agrária não se restringe a distribuição de terras. É indispensável, fora os investimentos e infra-estrutura, que seja garantida assistência técnica contínua e crédito às famílias assentadas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

1 bilhão sem alimentos

Há exatamente um mês atrás, abordei aqui no blog a questão a urgente necessidade do Mundo aumentar, nos próximos 20 anos, em 70% a produção de grãos e carne objetivando cobrir a demanda por alimentos que duplicará em duas décadas.

Hoje, 14, a Organização para a Agricultura e Alimentos (FAO) e o Programa Mundial para a Alimentação divulgaram relatório constando que cerca de 1 bilhão de pessoas já estão passando fome, no mundo inteiro.

Leia a matéria completa clicando aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A bola rola nas vilas

Os atletas amadores despontam na zona rural de Parauapebas.

Mais uma rodada do II Campeonato Rural de Futebol foi completada com a classificação das equipes à outra fase da competição.

É salutar e motivador ver a integração, pelo esporte, de nossas comunidades rurais, sempre esquecidas por aqueles que desconhecem os valores existentes nas vilas e distritos desse nosso encantador país.

Os filhos de agricultores, incentivados por seus familiares, estão fazendo a festa nos campos de pelada das vilas Jardim, Carimã, Conquista, Paulo Fonteles, Três Voltas, Palmares I, Palmares II, Pontilhão, Valentim Serra e outras.

São quase 500 atletas distribuídos por 27 times, disputando um título.

Depois do Campeonato Rural promovido pela prefeitura, os fins de semana do município de Parauapebas são uma festa, com a bola rolando.

domingo, 13 de setembro de 2009

Trabalhando a terra

Para os próximos 20 anos, o Mundo necessitará aumentar em 70% a produção de grãos e 80% a de carne, com objetivo de cobrir a demanda por alimentos que duplicará em duas décadas. O alerta foi feito pela FAO e Banco Mundial, prevendo para logo o retorno do superciclo dessas commodities, após a pausa da crise global, entre setembro-2008 e junho-2009.

Só para medir o tamanho desse mercado, na China e em outros países emergentes da Ásia, a necessidade por alimentos será ainda mais crescente. Naquela região existem 3,3 bilhões de bocas humanas precisando comer.

A boa notícia, no meio desse cenário previsto, é a de que o Brasil vai liderar, ao lado de Índia e Argentina, a quebra de recorde de produção, transformando-se verdadeiramente numa das três potencias agroalimentárias, cabendo a Argentina, por exibir perfil de país com população bem menor do que as outras duas nações, importante papel no comércio internacional de carnes e grãos.

Nos próximos 20 anos, Parauapebas estará inserida nesse esboço de grande produtor de alimentos. O município tem vocação para essa atividade, e o trabalho que se realiza hoje no campo, principalmente nos projetos de assentamento, ampliará as potencialidades.

Quem viver, verá.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

As uvas de nossa chácara

Faço experimento no plantio de uvas em minha chácara, localizada há 40 km de Parauapebas. Sempre quis testar a capacidade de nosso solo no desenvolvimento da cultura que diziam tempos atrás só germinava em terras do Sul. Depois que Petrolina e Juazeiro, na bacia do rio São Francisco, no Nordeste, transformaram-se em centros de produção exportadores da fruta, aquela tese foi por terra, literalmente.

Claro que meu parreiral ainda é pequeno, bastante tímido, mas já me enche de satisfação. As primeiras uvas comi este ano, deliciosas.

Eu sempre fui criado no meio de plantações de uvas no Rio Grande do Sul. Tenho verdadeira paixão pela cultura. Gosto tanto que eu mesmo costumo acompanhar os processos de adubação.

Gostaria muito que os Projetos de Assentamento expandissem o experimento.

Minha videira é apenas um tipo de plantação doméstica, pra satisfazer meu sentimento de homem nascido no campo.
Na foto, meu pequeno parreiral que brota ao lado da casa de nossa chácara.
Fazer a quebra de dormência, apalpar as folhas e sentir cachos de uvas nas mãos, é um processo de agradável prazer intimo.

 
Pauta Cidadã - Assessoria Blog