terça-feira, 15 de setembro de 2009

O prazer pessoal de Educar

A inauguração, nesta quarta-feira (16), da Escola de Ensino Médio Irmã Dulce, no bairro da Paz, com a presença da governadora Ana Júlia, parceira do projeto de concepção na nova escola, tem uma importância transcendental de caráter profundamente pessoal. Na Irmã Dulce, até o ano de 2004, passei dias maravilhosos exercitando a profissão de professor de Filosofia, numa convivência sempre aberta e sincera com meus alunos, colegas de magistério e diretores.

Professor de Filosofia, aprendi a moldar meu espírito crítico e a conceber uma visão humanitária a tudo que nos cerca.

A filosofia nos encanta por isso: tem vários suportes textuais.

Toda vez que eu entrava na Escola Irmã Dulce, para trabalhar, sentia a sala de aula como espaço para celebração. Falar da história da filosofia, recontar a partir da Grécia até os dias de hoje, me dava prazer e gosto pela profissão Brincava, às vezes, com meu alunos, recompondo a História até os dias atuais, contextualizando no pensamento que eu estava diante de valores que se preparavam para cuidar do futuro. Era quando batia uma baita de responsabilidade para não permitir equívocos no que era repassado aos jovens.

Havia momentos, principalmente quando eu preparava as aulas que iria ministrar dia seguinte, que me sentia como um pai determinado a deixar de herança para os meus filhos (naquela situação, os alunos) no mínimo, uma parcela da paixão pelo conhecimento.

A escola é isso, na visão dos educadores. E ela deve ter pelo menos a missão, caso seja incapaz de contribuir de forma mais eficiente, tentar pelo menos não atrapalhar a formação de nossa juventude.

Não tenho medo de afirmar (e meus ex-alunos estão por ai mesmo para servir de testemunhos) que cumpri com extrema dedicação e denodo o exercício do magistério, vivendo cada processo da longa jornada que nos era oferecida para o cumprimento de nossa missão de Educador.

A entrega da Escola Irmã Dulce, nesta quarta-feira, mais do que um estabelecimento educacional de perfil modelar à disposição da comunidade, resgata em meu espírito o passado recente ao qual me dediquei à formação da cidadania.

Hospital Municipal reinicia obras

Reuni meus assessores, durante toda esta tarde, para discutir a o planejamento de aplicação de recursos para a retomada das obras do Hospital Municipal.

No programa de rádio de segunda-feira, 21, contarei a boa nova em detalhes.

As obras serão reiniciadas na terça-feira, 22.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nosso Distrito Industrial

A segmentação do Distrito Industrial de Parauapebas direcionado ao setor de serviços é o conceito que devemos seguir para torná-lo competitivo e num centro de atração das grandes empresas terceirizadas pela Vale e por outras mineradoras com negócios no Sul do Pará, entre elas a Buritirama, que explora manganês aqui pertinho da sede do município, mais precisamente no território de Marabá.

Criou-se muita polêmica quando o governo do Estado conseguiu, com apoio do presidente Lula, fechar com a Vale a construção de uma siderúrgica em Marabá, mesmo contra a vontade, segundo alguns veículos de comunicação publicaram, dos principais membros da diretoria da mineradora, que nunca defenderam a interiorização da verticalização do aço brasileiro, preferindo sempre mantê-lo no eixo Rio-São Paulo-Minas e Espírito Santo.

Aqui mesmo em Parauapebas, alguns desinformados chegaram a insinuar omissão de minha parte na “luta” que se travava com Marabá pela escolha do local de instalação da Alpa, como ficou denominada a siderúrgica. Nunca imaginavam que o próprio vizinho município estava a um passo de ficar sem a futura empresa no embate que havia nos bastidores, já que a Vale preferiria o investimento no porto de Barcarena.

Marabá só conseguiu abrigar a Alpa depois de compromissos assumidos pelos governos Federal e Estadual de que viabilizarão as eclusas de Tucuruí, e a hidrovia do Tocantins, via de exportação mais barato para tornar a ALPA (Aços Laminados do Pará) competitiva na quebra de braço com os principais concorrentes do acirrado mercado de placas de aço, bobinas e chapas.

Quem imagina o Distrito Industrial de Parauapebas com perfil desenhado para acomodar a verticalização de minérios esquece que a única via de escoamento disponível para o transporte de produtos de exportação é a Estrada de Ferro Carajás, cuja proprietária é a Vale com sua política monopolista de aumentar quando bem entende o preço do frete de seus clientes. Qualquer dúvida quanto a isso, basta conversar com os proprietários de usinas de ferro gusa de Marabá, cujo distrito industrial só terá futuro, a partir do momento em que hidrovia, eclusas e o porto público que os governo de Lula e Ana Júlia otimizam, estiverem em operação.

A Vale, ao invés de posicionar-se como estimuladora dos grandes investidores do setor, os trata como potenciais concorrentes, administrando preços do minério e de transporte a critérios bastante discutíveis.

Nenhum investidor desse país se mostraria disposto a aplicar recursos, em nosso Distrito Industrial, na verticalização de algum projeto minerário dependendo da logística ferroviária como principal, e único meio de transporte de sua produção.

As potencialidades das diversas atividades paralelas exercidas pelas terceirizadas de mineradoras, sediadas em nosso entorno, estão abertas para que o Distrito Industrial de Parauapebas seja constituído por aglomerações de grandes, pequenas e médias empresas inter-relacionadas em microrregiões geográficas, recuperando componentes, produzindo serviços na manutenção de peneiras de britadores, e centenas de outros agregados.

As múltiplas atividades do setor de serviços são infindáveis, e para quase toda grande empresa, cumprindo duradouros contratos de terceirização, o custo/benefício é bem mais interessante se elas produzirem tudo o que necessitam aqui mesmo na região, por serem beneficiadas pela proximidade geográfica entre as firmas, bem como pelo seu elevado grau de inter-relacionamento, o que lhes asseguram um clima propício à produção em larga escala, não só reduzindo custos de transporte e de outras transações, mas também proporcionando e agilizando a comunicação entre seus diversos interesses.

Portanto, esse o perfil que devemos perseguir para o nosso Distrito Industrial, expandindo sua infra-estrutura, mão de obra treinada, adquirindo informações tecnológicas, e gerando emprego seguro.

Consolidados em várias cidades de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Paraná – os distritos industriais voltados ao segmento de serviços são modelos que não se baseiam apenas num sistema produtivo de pequenas e médias empresas, mas também numa singular combinação entre governos, integração social e de êxito empresarial.

Sem falar que é um tipo de planta de distrito industrial perfeitamente autossustentável, já que o meio ambiente não é atingido pelas suas intervenções. Ao lado da Flona Carajás, nenhuma empresa disposta a investir no município terá dificuldade em obter licenças ambientais para desenvolver suas atividades.

É a partir daí que surge o elemento inovador, enriquecedor do sucesso obtido pela região que investiu nessa plataforma de indução industrial.

domingo, 13 de setembro de 2009

Política de integração regional

Quando a governadora Ana Júlia concluir a pavimentação da PA-279 e a ponte sobre o rio Fresco, ligando a rodovia a sede de São Félix do Xingu, será ativada o start para um novo front de desenvolvimento no Estado. Especificamente, um corredor de produção de gado, leite e fluxo de turismo, com suas transformações paralelas estimulando a distribuição de renda.

Sou um defensor de ampliação do leque de oportunidades entre todos os municípios. Quanto mais depararmos com os vizinhos de Parauapebas potencializando suas riquezas, mais progresso e desenvolvimento aportarão em nossa casa.

É dessa forma que procuro me relacionar com os prefeitos. É assim que procedo nas conversas que alimento com o Maurino Magalhães, prefeito de Marabá, procurando fazer parcerias para que evitemos o descontrole de nossas gestões diante da atração que nossos dois municípios exercem nas famílias de outras localidades buscando oportunidades de sobrevivência.

Bairrismos tolos e sentimentos de exclusão não devem existir nas relações das prefeituras. Quanto mais unidos formos, mais retorno positivo teremos nas intervenções por melhorias gerais.

Quanto cito a importância, também, da construção da ponte sobre o rio Fresco, afluente do Xingu, é porque esse rio corta a rodovia a 40 quilômetros da cidade. Quem anda por ali sabe do sufoco das comunidades da Pa-279 aguardar horas para atravessá-lo em balsas.

A ponte mede 500 metros de comprimento.

Com 220 quilômetros de extensão, a Pa-270 liga Xinguara a São Félix do Xingu, cruzando as cidades de Água Azul do Norte, Ourilândia do Norte e Tucumã.

Brasileiros de verdade

Quebra a cara quem imagina seja tolo o cidadão que tem um título de eleitor apto a cumprir suas obrigações na escolha de representantes. Por mais humilde e desprovido de maiores conhecimentos, o eleitor brasileiro não é nenhuma abstração como imaginam alguns incautos.

Ele está sempre buscando “saber das novas”, ouvindo uma rádio, vendo o noticiário na TV, conversando com o vizinho, zanzando aqui e ali, adquirindo o mínimo de informação para não ser trapaceado na hora do “vamos ver”.

O eleitor humilde também já está contaminado pela progressão das novas mídias, sabendo tirar proveito do mínimo que lhe propagam, sem iludir-se desproporcionalmente como ocorria duas décadas atrás.

Calado, ele a tudo observa e grava em sua consciência, separando a lógica da fantasia.

Quanto mais pobre, mais racional ele é, capaz de pensar com a mesma intensidade com que batalha no dia a dia pela sobrevivência.

Para penetrar em suas vontades e aspirações, é preciso falar sua linguagem, tocar-lhe a alma, com a sinceridade que ele exige ser tratado.

Trabalhando a terra

Para os próximos 20 anos, o Mundo necessitará aumentar em 70% a produção de grãos e 80% a de carne, com objetivo de cobrir a demanda por alimentos que duplicará em duas décadas. O alerta foi feito pela FAO e Banco Mundial, prevendo para logo o retorno do superciclo dessas commodities, após a pausa da crise global, entre setembro-2008 e junho-2009.

Só para medir o tamanho desse mercado, na China e em outros países emergentes da Ásia, a necessidade por alimentos será ainda mais crescente. Naquela região existem 3,3 bilhões de bocas humanas precisando comer.

A boa notícia, no meio desse cenário previsto, é a de que o Brasil vai liderar, ao lado de Índia e Argentina, a quebra de recorde de produção, transformando-se verdadeiramente numa das três potencias agroalimentárias, cabendo a Argentina, por exibir perfil de país com população bem menor do que as outras duas nações, importante papel no comércio internacional de carnes e grãos.

Nos próximos 20 anos, Parauapebas estará inserida nesse esboço de grande produtor de alimentos. O município tem vocação para essa atividade, e o trabalho que se realiza hoje no campo, principalmente nos projetos de assentamento, ampliará as potencialidades.

Quem viver, verá.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Saneamento, patrimônio de todos

Os dados, a seguir, não são inventados. Saíram dos núcleos de pesquisa do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: 27% dos moradores das cidades brasileiras não têm acesso simultâneo a serviços de saneamento, como água, esgoto e coleta de resíduos.

Gravíssima, mais ainda, é a situação do Pará, onde 53% da população não dispõem de água tratada, o que corresponde a 3,6 milhões de pessoas de 739 mil famílias.

A situação de Parauapebas não destoa das demais, apesar dos esforços que tem sido feito para melhorar esse quadro.

Quando assumimos a prefeitura, definimos a luta pela viabilidade de recursos capazes de ajudar a administração municipal a enfrentar a explosão demográfica, que na pára de crescer. A periferia incha a uma velocidade espantosa, quem mora na cidade observa isso no dia a dia das andanças.

Nesse embalo, se as prefeituras não intervierem, em parceria com os governos Federal e Estadual, os novos bairros surgirão sem o mínimo de serviços de saneamento disponibilizados.

Não é por menos que a governadora Ana Júlia dedica grande parte de recursos do PAC às obras de expansão das redes de esgoto e água tratada, principalmente nos municípios de Marabá, Belém, cidades da Região Metropolitana, Parauapebas e Santarém, pólos cada vez mais invadidos por famílias que chegam de toda a parte do país em busca de oportunidades.

Mesmo quadro se repete em Parauapebas.

O Pará é o Estado brasileiro com menor índice de esgoto tratado e está no penúltimo lugar em serviços de água canalizada. Menos da metade da população das cidades paraenses tem acesso à água tratada. Enquanto a média nacional de cobertura de abastecimento de água chega a 81%, nas cidades do Pará a taxa é de 47,7%.

Depois de muita luta, confecção de projetos dos mais dimensionados níveis, com mudanças seguidas em suas configurações devido às exigências técnicas comuns nessas questões, semana passada conseguimos, finalmente, incluir no pacote de recursos de saneamento do PAC, os projetos de Parauapebas, no valor de R$ 47,3 milhões – aí inclusa a contrapartida do município de R$ 2,36 milhões.

Foi um alívio quando, dias antes, chegou informação, de Brasília, dando conta de que a proposta de Parauapebas estava dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério das Cidades.

Com seguidas viagens a Brasília, pessoalmente, acompanhei de perto a confecção e tramitação dos projetos de Parauapebas, passando a compreender, em sua extensão, a complexidade com que o tema do saneamento básico é tratado, verdadeiramente, em seus múltiplos tentáculos.

Tema cativo do campo da engenharia, ou da engenharia sanitária, ao se enxergar o saneamento básico a partir dos seus fins - e não exclusivamente dos meios necessários para atingir os objetivos almejados -, abre-se um leque de necessárias abordagens disciplinares, abrangendo um importante conjunto de áreas de conhecimento, desde as ciências humanas até as ciências da saúde, obviamente transitando pelas tecnologias e pelas ciências sociais.

Inda mais nos tempos atuais, quando o objeto saneamento básico é colocado como fator de interseção entre o meio ambiente e o ser humano.

Hoje, não se aprovam recursos para a área de saneamento apenas por interesse ou pressão político. Há um longo caminho a percorrer, muito além da compreensão comum daqueles que olham a administração pública como mero jogo de interesses pessoais.

Pude constatar a profundidade com que os técnicos buscam informações para definir, com a seriedade que o tema exige, as áreas onde serão aplicados os investimentos para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Não posso deixar de citar o empenho e a capacidade com que os técnicos da prefeitura de Parauapebas trabalharam para aprovar os projetos que beneficiarão os bairros Novo Horizonte, Altamira, Casas Populares I e II, Betânia e Da Paz.

Ainda são muitos os administradores públicos que resistem em investir em saneamento, certamente presos aquela máxima consagrada pelos coronéis dos cabrestos eleitorais de que “esgoto e drenagem não dão voto, já que ficam sob a terra”.

Muitos não sabem que a concentração de pessoas em pequenas áreas (85% dos brasileiros estão na cidade e, destes, 31% nas metrópoles), como acontece no país, causa problemas muito conhecidos, como o trânsito caótico e aumento da violência. Mas uma das vantagens dessa distribuição seria o tratamento de esgoto adequado, por proporcionar economia de escala, de escopo e de rede.

Dados atualizados de Parauapebas apontam a cobertura da coleta de esgoto em torno de 13%. Com o novo programa de saneamento a beneficiar seis bairros, chegaremos a cobrir 60% da área urbana, com recursos dos governos Federal e Municipal.

O abastecimento de água, coma a nova ETA (Estação de Tratamento de Água) que estamos construindo, chegará a 86% de domicílios cobertos, recursos originários do Estado e da prefeitura.

Não podemos, sob hipótese alguma, permitir que as águas domiciliares corram a céu aberto, agravando os impactos sociais do quadro de saneamento. Apesar do avanço entre 2006 e 2007, com pesados investimentos do Governo Lula nessa área, são despejados no ambiente, diariamente, 5,4 bilhões de litros de esgoto sem qualquer tratamento, comprometendo a saúde pública

Todos os estudos feitos até agora comprovam que para cada real investido em saneamento, economizamos quatro reais no gasto com saúde pública.

Outro dado apresentado, e apreendido por nós nesses meses de confecção de projetos, informa que a diferença de estatura entre quem tem acesso ao saneamento básico nos primeiros anos de vida e quem não tem é de dois centímetros, um reflexo da desnutrição infantil proveniente de enfermidades causadas pela falta de tratamento de esgoto.

Ou seja, o pouco que os prefeitos fizerem na distribuição, pelas ruas de suas cidades, de canos de água e tubos de esgoto colocados sob a terra, é muito em contribuição social.

Se todos os colegas dirigentes de prefeituras ousassem investir no setor, ao mesmo tempo, mesmo assim as estatísticas atuais indicam que seriam necessários 20 anos para que toda a sociedade brasileira tenha acesso ao saneamento.

Resumindo, os efeitos da falta de esgoto transcendem as fronteiras municipais. Eles atingem a todos.

 
Pauta Cidadã - Assessoria Blog